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Todos os dias vivemos e presenciamos situações distintas, seja no trabalho, em casa, na rua, na TV, no governo ou até mesmo do outro lado do mundo. Há alguns anos as situações estão ficando piores; chega uma hora que a vontade é de sair desse mundo e esquecer que ele existe.

Os problemas são diversos: hospitais e correios em greve, moradores no meio da troca de tiros entre policiais e bandidos, deputados corruptos, os preços dos mantimentos aumentando, escolas sem professores, pessoas sem abrigo, passando fome… poxa, é difícil receber notícias que nos arranque um sorriso!

Uns acham que as situações atuais são conseqüências do dia-a-dia, mas mesmo assim preocupam-se em unir-se e lutar por uma condição melhor de vida, acreditando em mudança; outros fecham os olhos e fingem que nada está acontecendo ao redor.

Em ambos os casos o que se quer é ser feliz. Ter uma vida confortável ao lado de nossos familiares, exercer a profissão depois de formado, ganhar um salário que supra as necessidades da casa… enfim, sabendo que é difícil derrubar todos esses obstáculos e que não podemos contar com o apoio do governo, o desejo de se refugiar em outro mundo onde existe ordem é enorme.

Portanto, como não existe a possibilidade de viver em outro mundo, cabe à sociedade ter mais seriedade e responsabilidade em seus atos. De nada adianta ficar sentado reclamando dos defeitos que têm o mundo globalizado.

Em co-autoria com Livya Meirelles

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40 anos para relembrar, celebrar e entender

O ano de 68 foi um marco, principalmente pela ação dos jovens. É bonito relembrar como a juventude se encontrava, toda ela junta e unida, lutando por causas em comum. Se formos comparar com o atual, cenário chega a ser triste a falta de idealismo dos jovens de hoje. Não posso deixar de citar um fato que ocorreu ano passado: a questão do passe livre; como me encontro na posição de uma jovem idealista, na ocasião pensei que os estudantes fossem encher a porta da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, mas não foi o que aconteceu: pela quantidade de colégios públicos sejam eles estaduais, federais ou do município deveria ter havido um número bem mais expressivo. Menos de cinco mil estudantes compareceram a esta manifestação reinvidicando que o passe não fosse tirado.

Todos os dias me pergunto o porquê desta geração e onde foram parar seus anseios, indignação, seu idealismo. Mesmo admirando profundamente os jovens daquela época, creio que atualmente não seria de extrema necessidade ocupar os lugares como forma de protesto: eles não escreviam expondo sua idéias? Então comecemos a fazer isso também.

Nossa grande luta de hoje teria de ser pelo sistema de ensino, assim como muitos estudiosos pensam, eu também acredito que as coisas só irão dar um passo adiante, quando tivermos uma bom mecanismo educativo. Não estou dizendo em momento algum que neste país não se pronuncie a palavra educação, até se fala e é debatida uma educação melhor, entretanto nunca chega. Por outro lado não jogo toda a culpa sobre os jovens. Uma música que retrata bem 68 é «e vamos à luta» de Gonzaguinha, apesar dos pesares me orgulho, assim como ele, de ser brasileiro e acredito na rapaziada. É o próprio sistema que vive dizendo que somos o futuro da nação, no entanto cabe a nós batalharmos por uma educação de qualidade que sempre se discute, todavia não sai do papel.

Portanto o que tenho a expor sobre meus pensamentos e minhas vontades, estão contidas neste pequeno texto, que além de fazer uma comparação das juventudes atual e passada, se baseia entre outras coisas em uma das épocas de manifestações mais importantes da história do Brasil e do mundo.

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Eu ousei em acreditar diversas vezes que magnífico era eu ter participado de uma passeata em prol de um direito estudantil: o passe livre. Hoje percebo que felizes foram aqueles que como Dilma, Lula, Chico, Caetano e José Dirceu,  lutaram arduamente para construir um país melhor, tendo a ousadia de tomar as palavras da ministra que pronunciou: “Eu não vou esconder o que eu fui e não tenho uma avaliação negativa. (…) Tenho uma visão bastante realista daquele período. Eu tinha 22 anos, o mundo era outro, o Brasil era outro. Muita coisa a gente aprendeu. Não tem similaridade com o que eu acho da vida hoje.” Dilma, em 2005, falando sobre suas atividades durante a luta armada.

Agora mais do que nunca tomo as suas brilhantes palavras como minhas. Pois não há dúvidas de que daqui a uns 40 anos eu irei pronunciá-las, novamente, com uma nova reorganização, porém não fugirei à praxe presente em todos os tempos.

Certa vez um camarada meu disse a seguinte frase: “que nós discutíamos atualmente o que era debatido ha 10 anos atrás” e essa frase me fez refletir sobre a seguinte coisa: a política de um modo geral tem padrões que precisam ser seguidos, como podemos perceber e até mesmo analisar, quase todos se não todos, políticos da atualidade tiveram formação política, no âmbito de Marx, Engels ou ainda outros nomes do grande socialismo, todavia isto não lhes fez mais bem que outrora, porque hoje é como se não significasse mais nada.

É, entramos em uma nova era e temos um novo Brasil, só me assusta o fato dos que lutaram tanto para que o país fosse o que é, em termos de economia, desenvolvimento e comunicação, serem agora os protagonistas dos maiores escândalos fraudulentos ou das corrupções mas descaradas que existem. Não deveriam ser esses mesmos, que são privilegiados de grande conhecimento intelectual, a lutarem ainda mais para que as coisas entrem nos eixos, como se diz popularmente? Ora se não foram vocês mesmo que diziam: “que depois da vitória era que começava verdadeiramente a revolução” — agora como pude ver mesmo sendo um Brasil de outras épocas, é difícil crer em quem tinha razão.

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Quando Moisés matou um egípicio em defesa de um escravo hebreu, precisou fugir para o deserto e ficar por muitos anos distante, mesmo sendo considerado um familiar da corte de faraó. Depois do conhecido êxodo, foram criadas leis acerca do homicídio, que são estudadas em todos os melhores cursos de direto que existem ainda hoje.

Contudo a vida de Daniel Duque Pittman foi interrompida aos dezoito anos, por um policial militar treinado para o militarismo, profissão mais violenta da cidade calamitosa, que como sabemos, fazia a segurança do filho de uma promotora: com treinamento e autorização para isso?

Segundo os jurados, o disparo foi considerado acidental e o acusado, inocente de uma morte causada por arma de fogo; ora, se o réu Marcos Parreira do Carmo agiu em sua defesa, arrolem-se as testemunhas da agressão feita e juntem-se as provas da lesão corporal efeutada pelo agora falecido e suposto agressor. Se foi um acidente, o homicídio é culposo; entretanto se o rapaz foi atingido desarmado e, com as evidências para afirmar legítima defesa, os argumentos se contradizem e o réu fica condenado por homicídio doloso, ou seja, foi agredido ele ou o seu protegido e efetuou um disparo intencional, sabendo que contra desarmados, usam-se apenas disparo de alerta. Seria o policial, paladino da lei, um covarde assassino?

Penso que estamos falando de pessoas “poderosas” e com influência nos tribunais, pois a promotora Márcia Velasco contratou de forma regular ou irregular, um militar para os serviços de proteção pessoal do seu filho. Seria o juiz Sidney Rosa da Silva, amigo de Márcia? Estamos no Brasil, sabemos como as coisas funcionam por aqui.

Os jornais informam e nós precisamos ler nas entrelinhas: desde Moisés não existe isso de homicídio acidental, pois ou morreu Daniel por si, ou foi morto e se foi morto, o autor precisa ser punido conforme a lei.

Quer um exemplo das leis que fundamentam as nossas? Se no meio dos hebreus, um homem subisse nalgum terraço com acesso, mas sem grade ou pára-peito e de lá caisse, o dono da casa seria acusado e punido por homicídio: tal lei com mais de cinco mil anos faz sentido para ti? Para mim faz, assim como ter mais homens de bem e limpos de dogras policiando a cidade, faz muito sentido.

Sentimentos e sincera vergonha meus, por ser brasileiro em um Brasil corrompido e absurdo, aos parentes e amigos de Daniel: obrigado por sua luta em prol do direito de viver e do dever de pagar que tem, quem rouba esse direito.

Hospedado por
Folhinha
setembro 2010
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