Existem dias em que a vida parece mesmo ter nenhum sentido; fora do tom e errante, o eu anda distante das certezas e em dias sombrios resta apenas o lembrar. Sentir medo torna-se comum e a desumanidade consegue o que quer: torturar, distorcer e reduzir. Correr é preciso, mas como fazê-lo com tamanho peso nas costas? Lutar é preciso, mas como superar a própria dor?
Pare de andar em círculos: a maior vítima da sua teimosia, do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ingratidão e do seu ódio, é você; que pode achar uma pessoa para condoer-se e sentir pena, para alimentar o seu sofrimento ou pode amar a si e aos mais chegados com alguns gestos e escolhas.
E amar pode ser estar disponível, solícito sem se deixar explorar; pode ser tratar as pessoas com mais respeito e docilidade, sem deixar que abusem da sua bondade; pode ser repreender e até ficar “de mal” com alguém, para enriquecer a amizade, o amor-próprio e a sinceridade; pode ser também encobrir os erros de alguém, para exercitar a sua tolerância e o bom convívio; tratar com humanidade aquela pessoa que te fez algum mal; dar um conselho, dar uma palavra de apoio ou uma boa ideia a quem quer que seja, amigo ou inimigo, parente ou desconhecido: pelo simples prazer de fazer o bem, de colaborar mais e competir menos. Pode ser ligar para um amigo e compartilhar suas alegrias; partilhar algo material com quem precisa muito mais ou apenas um pouco mais.
E amar mais parece como andar em uma misteriosa linha entre você e o outro: fora do amor, tudo mais lembra o andar em círculos.
